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A Árvore do Amor

  • 6 days ago
  • 1 min read


Começou com uma muda que plantei em mim e cresceu grandiosa, envergada em tudo que era eu. Suas raízes entranhavam minhas colunas, se apoiavam nos meus projetos. Em meio aos seus troncos: cheiro de casa. Fortalecida por chuvas de beijos, suas folhas umedecidas por lágrimas. Sustentada agora em uma morada que abandonei, em um sonho desfeito por desonestidades.


No começo da morte tentei expurgar aquela árvore do centro de mim, mas entendi que seria impossível cortar algo que tanto nutri.


Ainda visito aquele espaço, e me comunico com aqueles sentimentos. Às vezes chorando o privilégio da sua existência, às vezes para transmutar aquela dor do fim. Desvinculei esse lugar interno da pessoa externa que me feriu. Entendi que possivelmente o amor que restou é só meu, e com isso limpei as teias da romantização que enobrecia quem desdenhou desse nosso viveiro. Sobrou para mim reverenciar a nossa árvore sozinha. Me incumbi de dignificar ela por nós dois.


Gosto das noites que sonho com você. Geralmente temos longas conversas sobre nosso cotidiano, novas rotinas, antigas reclamações. E naquele mundo imaginário nos reencontramos, e a saudade cessa por instantes. Não sinto falta de quem você é hoje, inclusive porque sinto que não te conheço mais. Queria falar com aquele fragmento de pessoa congelada no tempo, que carrego comigo. A saudade é daquela semente de onde nasceu meu carinho. De quando você mexia no meu pé enquanto assistíamos TV, sentados no nosso sofá cinza.


Texto de 2022.

 
 
 

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