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Penduricalhos

  • May 15
  • 1 min read

Na minha biblioteca de sentimentos, tem muitos cacarecos de enfeite. Lá cataloguei a lembrança de ontem: eu dançante em noite quente. Reforçou muito o meu desejo pelo contrário de uma existência limpa. Que pavor de vida-sem-vida. De flutuar sem perceber em direção a uma cabeça-de-consultório-de-dentista. O desapego me parece um conceito tão estéril. Fico pensando sobre como Maio sem a bagunça de Belém teria sido infinitamente mais triste/tédio. Hoje acordei ansiosa e fiz uma tentativa falha de fugir de ir pra praia. Que bom que no fim eu vou, mas percebo que preciso achar tempo pra parar. Respeitar a vontade-sinal de adensamento urbano-psíquico. Preciso achar uma hora pra separar o que é mesmo morada e o que são meus entulhos. Tenho medo de demolir uns puxadinhos que não me servem mais. Mas antes deixar um espaço sem função, que deixar uma estrutura revestida de textura-imitação. Kali, me livre de uma mente com tijolos-autocolantes. Quero ser feita de parede de pedra maciça, ou de vento.

 
 
 

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