O prazo de validade do encantamento
- 3 hours ago
- 2 min read

Como uma boa millenial eu sou viciada em dopamina (culpo o Nintendo 64 que me ensinou cedo sobre euforia). Por isso, a Rotina é minha arqui-inimiga. É só a vida ficar um pouco insossa e não ter nada no futuro que me faça sonhar, que o dia-a-dia vira esmagador. Ou - como descrevo pra minha terapeuta - o marasmo me dá uma vontade louca de deitar no chão no meio da sala de barriga pra baixo. E ficar… para todo o sempre. Bem ali, cara-no-tapete.
É desse tédio insuportável que (as vezes) nascem as sarnas que me coçam: se o jantar está sem graça eu me encarrego de ser o entretenimento; se estou em uma reunião meio parada mando mensagem pra boys que não me interessam (se você já recebeu mensagem minha do nada em uma quinta de manhã - taí oh). Se eu não tomar cuidado, um cotidiano morno aumenta a minha fatura de cartão, meu peso na balança, a minha chance de me meter onde não fui chamada e de espalhar um segredo secreto gostoso de ser contado.
Não é saudável ter asco de uma vida tranquila então hoje aos 34 anos aprendi a conter os maiores danos desse vício purpurinando felicidade ao longo dos meus dias. Meus gatos cumprem esse papel, outrora o tiktok me entusiasmava. Hoje, em uma fase estável, estou parindo um blog. Mas de todas as coisas do mundo, o que mais me ajuda a sair da areia movediça da cama é uma bela caneca nova.
É por isso que tem fases que posto foto do meu café quase todas as manhãs: eu estou apaixonada, obcecada, deslumbrada. O que me deixa triste é que esse encantamento é igual café: passa. Tenho dó desses meus ex-amores largados, imagino minhas canecas se sentindo igual os brinquedos de Toy Story. Coitadas. Mas hein, contei essa história sofrida só pra poder ter peso na hora de perguntar: alguém tem o link de uma caneca bem legal para eu comprar?


Comments