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Quanta neblina

Sep 20
1 min read

Reassisti hoje um highlight do meu perfil do instagram e estranhei essa conexão do feed com o verbo alimentar. Que fome eu tento saciar, mantendo os recortes felizes de uma viagem que tenho tantas lembranças tristes?


Esquisito pensar nesse meu acesso

a milhares de construções de pessoas, bairros inteiros de casas curadas para o olhar do outro. Já a minha morada real tem belos hiatos completos, cercados por um canteiro de obra confuso. A edificação é constante, é a bagunça que é nova. Talvez reflexo de recentes devaneios identitários. Me sinto meio boiando em um rio meio parado.


E eu acho que só quem percebe isso hoje são meus con.vi.ve.dores (subst. masc. pl.): aqueles que resistem em conviver - comigo ou com outro sujeito ou sentimento qualquer. Inventei.


Esse destaque que reassisto sempre alimenta minhas idealizações, uma conversa comigo mais que com quem me segue. Choro vislumbrando uma verdade que eu queria, tanto tanto. Bonito até - pensar que eu projeto no meu perfil filetes das minhas vontades mais íntimas.


Então seila, tudo lá é ficção e eu fico horas seguindo histórias que realçam as minhas muitas faltas.

Viva essa plataforma enchida com meus vazios, espelhados em uma megalópole de fumaça.

 
 
 

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